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Análise – Tomb Raider I–III Remastered: uma grata surpresa nostálgica

  • Foto do escritor: Universo Big N
    Universo Big N
  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

Poucas personagens dos videogames alcançaram o nível de reconhecimento de Lara Croft. Desde sua estreia em Tomb Raider, a arqueóloga aventureira se tornou um ícone da indústria, lembrada tanto por sua personalidade forte quanto por enfrentar desafios perigosos ao redor do mundo em busca de artefatos misteriosos. Com o lançamento de Tomb Raider I–III Remastered, jogadores antigos e novos têm a oportunidade de revisitar três dos jogos mais influentes da década de 1990 com melhorias visuais e ajustes na jogabilidade.


A coletânea foi publicada pela Aspyr e desenvolvida pela Crystal Dynamics em parceria com a Saber Interactive. O pacote inclui versões remasterizadas de Tomb Raider, Tomb Raider II e Tomb Raider III, sendo lançado para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X and Series S. Em termos de recepção, o jogo recebeu uma média de cerca de 75 no Metacritic e aproximadamente 76 no OpenCritic, números sólidos para um projeto que revisita títulos clássicos com quase três décadas de história.


Gameplay: clássica, desafiadora e um pouco datada

Um dos pontos mais marcantes da trilogia clássica sempre foi sua jogabilidade baseada no chamado “controle de tanque”, sistema típico dos anos 90 em que o personagem gira antes de se mover na direção desejada. Para jogadores acostumados com mecânicas modernas, isso pode parecer estranho no início.

No entanto, o remaster oferece duas opções de controle:

  • o sistema clássico, fiel aos jogos originais;

  • e um sistema modernizado, que torna a movimentação mais fluida e intuitiva.

Mesmo com essas melhorias, a experiência continua exigente. Saltos precisam ser calculados com precisão, a posição da personagem deve ser ajustada cuidadosamente e o combate exige certa distância dos inimigos. O sistema de mira automática ajuda, mas ainda exige posicionamento correto para evitar dano ou desperdício de munição.

Esse nível de dificuldade faz parte da identidade dos jogos originais e ajuda a preservar a sensação de exploração e superação que marcou a série.


Modo foto e extras interessantes

Um dos recursos modernos adicionados à coletânea é o modo foto, que permite capturar momentos durante a exploração com diferentes poses para Lara. É uma adição simples, mas muito bem-vinda para quem gosta de registrar cenários ou criar imagens criativas dentro do jogo.

Além disso, atualizações posteriores adicionaram novos recursos, como a possibilidade de alterar a aparência da Lara com diferentes skins, incluindo roupas usadas ao longo dos três jogos. Esse tipo de personalização ajuda a tornar a experiência mais divertida, principalmente para quem gosta de revisitar fases antigas com novos visuais.


Gráficos: o grande destaque do remaster

Sem dúvida, o aspecto mais impressionante da coletânea está na parte visual. O remaster permite alternar instantaneamente entre os gráficos originais e os novos, algo que evidencia o grande salto de qualidade.

Nos novos gráficos:

  • o modelo de Lara foi reconstruído com formas mais suaves e detalhadas

  • os cenários ganharam iluminação aprimorada e texturas mais definidas

  • objetos e inimigos ficaram mais fáceis de identificar

Esse contraste é especialmente interessante porque os jogos originais tinham limitações técnicas fortes da época de consoles como PlayStation, Nintendo 64 e Sega Dreamcast.

Agora, elementos que antes pareciam apenas blocos ou formas abstratas passam a ter identidade visual clara, tornando a exploração muito mais agradável.


Trilha sonora e ambientação

Outro aspecto que continua brilhando é a trilha sonora clássica da série. Embora não tenha sido completamente refeita, as músicas originais foram preservadas e continuam extremamente eficazes na construção da atmosfera.

A trilha combina:

  • elementos de música orquestral

  • momentos de tensão silenciosa

  • instrumentos como harpa e violino

Esse estilo minimalista ajuda a criar uma sensação de mistério e isolamento durante a exploração de ruínas, cavernas e templos antigos.

Os efeitos sonoros também permanecem praticamente os mesmos dos jogos originais. Apesar de datados, ainda funcionam bem dentro da proposta nostálgica da coletânea.


História e exploração: o verdadeiro espírito de Tomb Raider

A trilogia clássica se destaca por seu foco em exploração, puzzles e elementos sobrenaturais. Diferente da abordagem mais cinematográfica dos jogos modernos da série, esses títulos priorizam a sensação de aventura e descoberta.

Ao longo dos três jogos, Lara viaja por diversos locais exóticos em busca de artefatos misteriosos. Um dos momentos mais marcantes da trilogia é a visita ao estranho reino de Atlantis, um cenário perturbador repleto de estruturas orgânicas e criaturas bizarras.

Essa atmosfera misteriosa e surreal é um dos grandes motivos pelos quais muitos fãs ainda consideram a trilogia clássica superior em termos de exploração e sensação de aventura.


Problemas e ajustes pós-lançamento

Apesar do bom trabalho geral, o remaster não chegou perfeito. Alguns problemas foram identificados no lançamento.

Entre eles:

  • dificuldade para enxergar itens nos novos gráficos em determinadas áreas

  • diferenças visuais que tornavam objetos importantes difíceis de identificar

  • alguns comportamentos inconsistentes durante saltos ou agarrões

Felizmente, boa parte desses problemas foi corrigida com patches posteriores.

Na versão do Nintendo Switch, também foram relatados pequenos erros relacionados ao modo de suspensão do console, que ocasionalmente exigiam reiniciar ou carregar um save anterior.

Outro ponto curioso é que o sistema de save e load no mesmo menu pode causar confusão, o que já levou alguns jogadores a salvarem o jogo no momento da morte por engano.


Um projeto feito com carinho

Um detalhe interessante sobre o desenvolvimento é que o remaster contou com ajuda de fãs da franquia, especialmente pessoas que já trabalhavam em projetos de remasterização dos jogos clássicos. Esse envolvimento da comunidade provavelmente ajudou a garantir que a essência da trilogia fosse preservada.

E isso é algo perceptível durante a experiência: mesmo com melhorias modernas, o jogo mantém o espírito dos originais.


Conclusão

Tomb Raider I–III Remastered está longe de ser um jogo perfeito, mas também passa muito longe de ser uma experiência ruim. Pelo contrário: é uma excelente oportunidade para revisitar — ou descobrir pela primeira vez — três clássicos fundamentais da história dos videogames.

A coletânea respeita o material original, melhora significativamente o visual e ainda adiciona alguns recursos modernos que tornam a experiência mais acessível.

Para quem gosta de exploração, puzzles desafiadores e aventuras arqueológicas, a trilogia continua extremamente divertida, mesmo décadas depois de seu lançamento original.


Nota final: 8.5 / 10

Um remaster feito com cuidado e respeito pela obra original — e uma ótima forma de reviver uma das fases mais importantes da história de Lara Croft.

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